Toró
22.1.11
Redes solidárias
Acompanhar a onda de solidariedade que se formou em torno da tragédia da Região Serrana nas mídias sociais tem sido simplesmente emocionante; não há outra palavra. De todos os cantos, a todas as horas do dia ou da noite, notícias sobre parentes e amigos são transmitidas, pedidos de doações e de caminhões e carros grandes para levá-las às áreas atingidas são feitos (e respondidos), encontros de caravanas e de voluntários são convocados, informações sobre os itens mais necessários são transmitidas.
Não tenho dúvidas de que a população responderia da mesma forma sem o uso dessas ferramentas, mas ao mesmo tempo tenho certeza de que a ajuda não poderia ser tão rápida e eficiente sem o Twitter, o Facebook e o Orkut. Até o Flickr cumpriu seu papel, com incontáveis galerias de imagens da destruição e do trabalho dos voluntários.
O papel das redes não deve acabar aí. Acho que elas terão importância crucial ao longo dos próximos meses, desempenhando tarefa tão ou mais importante quanto a que desempenham agora: cobrar das autoridades responsáveis a reconstrução das cidades e o indispensável cuidado com seus habitantes.
* * *
Os animais que se perderam de suas famílias humanas, quando não as perderam de todo, foram muito beneficiados com a agilidade da rede. Normalmente esquecidos nas grandes campanhas que pedem auxílio para vítimas, ganharam espaço nas mídias sociais, onde há lugar para todos. Agora mesmo, no meu blog, está postado o apelo de uma veterinária que sobe amanhã e na próxima quinta para a serra e pede toda a sorte de materiais (http://bit.ly/fDRpku); há alguns dias, postei um cartazinho colhido no Facebook com os dados de três ONGs da máxima confiança, para quem quiser fazer doações em dinheiro (http://bit.ly/eetPia). Isso seria quase impensável na era pré Web 2.0, quando o espaço que havia na mídia convencional era dedicado, compreensivelmente, à prioridade humana.* * *
Não é a primeira vez que se vê o uso das redes sociais em campanhas para amenizar o sofrimento das vítimas de grandes tragédias. O mesmo aconteceu na época da Tsunami, do terremoto do Haiti e nas enchentes do ano passado. Mas, dessa vez, seja por causa das dimensões da tragédia, seja por estarmos tão perto, a internet provou lindamente o seu valor, e deu a quem a freqüenta o orgulho de pertencer a uma espécie que não vale nada, que destrói o planeta e desrespeita a natureza – mas que, no fundo, tem bom coração e sabe se condoer com a sorte dos seus semelhantes.* * *
A foto desta coluna não tem nada a ver com o assunto. Ela é só um preview do que tenho feito com um novo brinquedo, a Canon S95, de que falarei brevemente.* * *
Há tempos eu me perguntava por que pendrives de 128Mb ou 256Mb ainda são fabricados. Tive a resposta na CES, onde as empresas mais antenadas com o momento da tecnologia distribuíam seus press-kits nesses pendrives. Faz todo o sentido, nessa época em que nem todo subnotebook ou netbook tem drive de CD ou de DVD, mas todos têm entrada USB. O curioso é que acaba acontecendo uma gradação de status entre os press-kits, mais ou menos como acontecia no tempo em que o pessoal caprichava nas pastas de papelão e no papel cuchê: os mais vistosos vêm em formatos diferentes (o da Verizon numa ficha de poker, por exemplo, o da Sony-Ericsson uma pulseirinha) e têm espaço de sobra (tipicamente 1Gb) para serem “reciclados” para outras funções. É uma idéia inteligente. CDs e DVDs acabam no lixo, ao passo que os pendrives continuam pelos bolsos e bolsas da moçada por meses a fio, lembrando a empresa pelo logotipo.(O Globo, Economia, 22.1.2011)
21.1.11
Enquanto isso, na terrinha...
Achei muito comovente a mensagem:
Expressamos assim de forma efectiva e profunda, a solidariedade para com todos os nossos irmãos brasileiros, sobretudo os mais afectados.
Profundamente chocados com as imagens de horror da destruição indizível; incrédulos perante a realidade, brutal, que a todos nos afecta; vergados pela mágoa de tantos mortos e tamanhas perdas materiais, queremos assim enfatizar, agora na adversidade, este nosso sentimento de comunhão ditado pelos afectos que nos unem enquanto povos irmãos.
O Município de Aljezur determina dia de luto municipal em solidariedade com o povo brasileiro!
O Município de Aljezur associa-se à iniciativa sugerida pela Associação Nacional de Municípios Portugueses, que determina o dia 21 de Janeiro (Sexta-feira) como dia de luto municipal, concretizado através do hastear da bandeira municipal a meia adriça.
Expressamos assim de forma efectiva e profunda, a solidariedade para com todos os nossos irmãos brasileiros, sobretudo os mais afectados.
Profundamente chocados com as imagens de horror da destruição indizível; incrédulos perante a realidade, brutal, que a todos nos afecta; vergados pela mágoa de tantos mortos e tamanhas perdas materiais, queremos assim enfatizar, agora na adversidade, este nosso sentimento de comunhão ditado pelos afectos que nos unem enquanto povos irmãos.
Mais um recado da turma dos resgates
Haverá uma grande feira de adoção montada especialmente para os animais resgatados na Região Serrana.
A maioria, filhotes e gatinhos.
Vamos tentar trazer os pequeninos também.
Os maiores não virão por falta de transporte; neste momento, ainda estamos priorizando os resgates.
Dia 22.01.2011
Bicho Bacana
R Paula freitas 61 - Copacabana - RJ
a partir das 9.00h
Dia 23.01.2011
Parcão da Lagoa - Próximo ao Corte do Cantagalo - RJ
a partir das 10.00h
Vamos ajudar!
A dra. Sabina Veras é uma das veterinárias mais queridas do Rio. Ela faz um apelo a todos nós, que gostamos de bichos:
"Amigas e Amigos,
Todos sabemos que a situação na região serrana do RJ é muito grave e que toda forma de ajuda se faz necessária.
Não são somente as pessoas que estão em situação desesperadora. A situação dos animais em Teresópolis e Nova Friburgo também é desesperadora!!!
Cães, gatos, e outras espécies sobreviventes ficaram para trás em casas trancadas sem água ou comida, ou presos em áreas isoladas, sem conseguir sair. Pessoas que precisaram ir para os abrigos, não podem levar seus animais, sendo forçados a abandoná-los. Existem milhares de animais feridos e famintos vagando sem rumo nas localidades atingidas pelas chuvas.Como sou médica veterinária acho que o melhor que tenho a oferecer é atuar pelos animais que perderam suas casas, suas famílias e que se feriram durante a tragédia.
Neste domingo e na próxima quinta feira eu irei a um galpão em Teresópolis para onde estão sendo levados os animais em necessidade. A situação por lá é muito precária, abaixo uma lista do que mais estão precisando:
- Jornal velho
- Panos (toalhas, panos de chão, lençol...)
- Produtos de limpeza (água sanitária, Lisoforme, sabão de coco, detergente, esponja...)
- Produtos para curativo (gaze, atadura, esparadrapo, algodão, povidine, água oxigenada...)
- Remédios em geral
- Ração
- Produtos Pet (guias, coleiras, potes de alimento – serve pote de plástico- caminhas de animal - serve almofada, travesseiro...)
Além disso, o que estes animais mais precisam é de um novo lar e a maior ajuda que uma pessoa poderá oferecer é adotar um animal desabrigado. Tem cães, gatos, adultos, filhotes, com raça, sem raça, pequenos, grandes...Quem puder colaborar, peço para entrar em contato ou para deixar os donativos na minha casa (Rua Eugênio Hussak, 22/302 – Laranjeiras. Cel:9385-8554).Conto com a compreensão de todos e espero, sinceramente, que não se incomodem por estar pedindo pelos animais. Não tem nenhum órgão oficial que olhe por eles, estão esquecidos e sequer sabem se defender. Desde quando foram domesticados, dependem do homem para sobreviver.
Beijos, Sabina."
20.1.11
Pois é...
O sítio fica logo depois de Conselheiro Paulino. A vista dá para um vale e, em frente, mas bem longe, uma outra montanha. Quando nos mudamos, havia uma linha de estrada de ferro que cortava essa montanha e, volta e meia, via-se (e ouvia-se) passar um trem. Tirando isso, verde por toda a parte, e uma única casinha isolada.
Um dia, quando o Pois é ainda estava em construção, os moradores dessa casa lá longe vieram num jipe inspecionar a obra e descobrir quem eram os novos “vizinhos”. Aposto que, quando viram os primeiros sinais de atividade do lado de cá, pensaram “There goes the neighbourhood!” – sim, eram ingleses, chamavam-se Mumford e, para grande alívio de ambas partes, as famílias deram-se às mil maravilhas. Não que estivéssemos propriamente tropeçando uns nos outros, mas para eles, que passaram a vida profissional numa ilhota perdida onde se fazia a conexão de cabos da Western Telegraph Company, outra casa na Mata Atlântica devia corresponder a uma terrível invasão de privacidade.
Quando se fala em Friburgo, fala-se sempre nos suíços, mas nós estavamos cercados de ingleses. Os vizinhos do lado, cujo terreno vinha até o nosso (mas cuja casa nem se via, e ficava a uma boa caminhada), chamavam-se Smith. Eram pai, filha, muitas garrafas de gin e grandes doses de amizade. Mr. Smith, de ombros largos, sempre nos saudava erguendo os braços para o céu. Até hoje, quando penso nele, me lembro de uma forma de pudim que tínhamos na época, mais larga em cima do que embaixo, com dois braços que se abaixavam para prender a tampa, e se levantavam para abri-la. Coisa de criança.
* * *
Os Mumford eram velhinhos, e não viveram para ver a degradação da região. O trem deixou de ir e vir e, aos poucos, a floresta foi posta abaixo. Em seu lugar, surgiram casas, casas e mais casas. Construídas de qualquer jeito, a maioria, e feias, muito feias, como costumam ser as casas de baixa classe média brasileiras. Nosso país, que teve as casas mais lindas desde o período colonial, perdeu, em algum momento do século passado, o bonde da estética. No caso, nem se pode alegar falta de recursos, já que, com o mesmo dinheiro que se gasta para construir uma casa feia, se pode construir uma casa bonita. O que é preciso acrescentar: um tanto de capricho, um gosto pela beleza, um olho cultivado. Por outro lado, onde é que o brasileiro médio vai cultivar o olho? Nos horrores da Avenida Atlântica? Em São Paulo? Na Barra da Tijuca?* * *
Não me lembro mais como se chegava no lado dos Mumford, mas com certeza era pela outra margem do rio Bengala. Quando eles ainda eram vivos e a floresta mais ou menos intacta, o rio seguia seu rumo solitário, com a estrada para Conselheiro (e Bom Jardim, e mais adiante Sumidouro) ao lado. Muito espaço vazio e, a seis quilômetros de Friburgo, a nossa aldeia miúda, de poucas casas e comércio precário.Um dia alguém construiu um barraco literalmente pendurado no rio; logo apareceu outro barraco, e outro e outro. Em alguns anos, os barracos deram lugar a casas. Nunca, nesses anos todos, se soube de governo que tivesse tomado qualquer espécie de providência em relação a isso, sendo que alguns conseguiram ser ainda piores do que a péssima média. O ex-prefeito que acaba de morrer soterrado, por exemplo, foi um dos principais responsáveis pela favelização geral.
Ao contrário das áreas elegantes de Mury, Friburgo cresceu, lá para os nossos lados, como costumam crescer as cidades brasileiras: ao Deus dará. Planejamento urbano? Respeito ao meio-ambiente? Cuidados com a população? Ora, por quem sois.
* * *
Esqueci de dizer que, quando eu era criança, o Bengala era um rio limpo, onde se podia pescar. Deu o azar de nascer brasileiro, coitado, e de virar, como viram os nossos rios, um misto de latrina e lata de lixo. Depois nós falamos do Ganges.* * *
Em julho do ano passado, o Paquistão enfrentou as piores enchentes da sua história, numa tragédia de impacto humano semelhante à tsunami do Oceano Índico. Um quinto da superfície do país ficou submersa, o número de desabrigados contou-se em milhões e ocorreram quase duas mil mortes. O Paquistão é um país pobre e desorganizado (US$ 2.942 per capita versus os nossos US$ 10.200), vítima de governos desastrosos, de movimentos terroristas e de um permanente confronto com a Índia; seus índices de corrupção são ainda piores do que os nossos, se é que isso é possível. Mas, na contabilidade macabra da falta de planejamento e do descaso das autoridades, eles perderam relativamente menos gente do que nós.* * *
Procurei em vão por notícias recentes sobre os desabrigados do Paquistão. Deixaram de ser interessantes há tempos, assim como os desabrigados de Niterói do ano passado. Daqui a algumas semanas a região serrana sairá das manchetes; os sobreviventes tentarão, como os que vieram antes deles, reconstruir sozinhos os seus lares e as suas cidades, à sombra das promessas descumpridas, longe dos holofotes da mídia.Quanto aos sucessivos governadores e prefeitos responsáveis pela tragédia, os demagogos que nada fizeram e tudo permitiram, bem, esses continuarão levando as suas vidas safadas de sempre, correndo, entre uma viagem e outra, atrás de aposentadorias obscenas e benesses vitalícias.
(O Globo, Segundo Caderno, 20.01.2011)
19.1.11
Primeiro dia na creche
Não entendo isso. Toda vez que subo um video via Blogger, aparece um frame ao lado...
De qualquer forma, como vocês podem ver, a Nina e o Fabinho curtiram muito a creche!
17.1.11
16.1.11
Notícias do sítio
A Laura escreveu uma circular para os nossos amigos:Pessoal
Muitos de vocês têm telefonado e escrito, com preocupação carinhosa conosco, diante das recentes tragédias na região serrana. Dada a impossibilidade de telefonar ou escrever a cada um de vocês, peço desculpas por escrever uma carta-circular. Mas vocês podem ter certeza de que o afeto de cada um foi importante e valorizado individualmente.
Primeiramente, vale tranquiliza-los (ate certo ponto) em relação à mamãe: ela já estava no Rio de Janeiro, pois anda adoentada e precisava fazer exames médicos de vários tipos. Assim escapou de ficar isolada, e nós não precisamos adicionar a preocupação da distância à preocupação com seu estado físico. Caso típico de "há males que vêm para o bem".
Depois de muitos dias de angústia, finalmente tivemos notícias de Nova Friburgo. A casa do sítio foi muito bem construída (mamãe é arquiteta, e o projeto é dela), com inúmeros muros de contenção feitos com grandes pedras, e obras estruturais que visavam dar segurança à casa e à biblioteca. Todos estão de pé. A floresta atrás da casa nunca foi desmatada, e assim os danos foram pequenos. O Dirceu (nosso caseiro) está bem, assim como a Jandira (empregada da mamãe) e sua família, que por sorte, lá em Olaria, nada sofreram. Os cachorros nem perceberam que houve um cataclisma verdadeiro, por lá. Toda a comida que estava no freezer, evidentemente, se estragou, pois falta luz há dias.
Já o bairro de Conselheiro Paulino (onde fica o loteamento em que nossa casa foi construída) foi serissimamente afetado. Segundo a Jandira, "acabou tudo. A gente olha para o Rio Bengala e não acredita, está cheio de carros, ferros retorcidos, caminhões, lixo e lama, pedaços de árvore, cadáveres boiando. Para todo o lado a gente vê gente correndo, bombeiros atarefados, lixeiros aí do Rio, voluntários, gente atarantada que perdeu tudo. Acima, no céu, helicópteros dão rasantes. Parece cenário de filme de ficção científica, ou pior, de terror."
O sítio de nossa amiga Sula também está a salvo, ainda bem. O d'Artagnan me contou que a casa de sua mãe também foi poupada, e que meus ex-alunos Larissa e o Leandro, que haviam se mudado para NF recentemente, perderam tudo, mas conseguiram escapar com os dois filhos.
Nosso vizinho Leo me escreveu o seguinte:
"Conseguimos nos comunicar com o pessoal lá de Cabubo! Estão todos bem!!! Os sítios estão intactos, 'Cabubo' e 'Pois é'. A familia da tia Nilza toda está bem, nosso jardineiro perdeu a casa mas ele e sua familia escaparam. As casas daquele terreno ao lado ou em frente ao Pois é desmoronaram, acho que da Dona Eva. Me disseram que uma pessoa dali debaixo faleceu."
Bem, é isso. Mais uma vez, obrigada pela amizade, pela gentileza e solidariedade de vocês todos
laura
15.1.11
Ecos da CES
Ao longo dos anos, várias formas de PC-TVs e TV-PCs foram tentadas, com a intenção de transformar os dois num único aparelho. Nenhuma deu certo porque, ergonomicamente, esses são dois aparelhos que se usam de forma muito diferente. A TV é coletiva e, à sua frente, ficamos relaxados; o computador tende a ser individual e, de modo geral, quando o estamos usando, estamos a trabalho. De modo que a idéia de juntá-los numa só engenhoca foi, aos poucos, ficando pelo caminho, ajudada pelos preços cada vez mais acessíveis dos componentes. Hoje os computadores têm muito de TV e os aparelhos mais sofisticados de TV já têm bastante de computador; mas uma coisa continua sendo uma coisa, e outra coisa continua sendo outra coisa.
O TV with Boxee + Storage, lançamento da Iomega na CES que chega ao Brasil ainda nesse semestre, propõe-se a fazer uma espécie de ponte entre os dois. Com capacidade de armazenagem de 1Tb ou 2Tb, ele é um media player que permite ao usuário ter, na TV, acesso à sua coleção digital de fotos, músicas e vídeos, onde quer que ela esteja: é que o Boxee é wi-fi e “fala” com toda a rede doméstica, do computador ao smartphone. Como é um animal conectado, também oferece acesso a qualquer conteúdo web, como os filmetes do You Tube, por exemplo, ou as estações de TV internet. Nos Estados Unidos e em alguns países europeus, onde as emissoras disponibilizam seriados e filmes, e locadoras funcionam na banda larga, a escolha vai ao infinito.
O TV with Boxee + Storage se destaca pela capacidade de armazenagem e pela possibilidade de conexão às redes sociais: ele já “nasce” com atalhos para o Twitter e para o Facebook, e seu controle remoto tem tecladinho Qwerty e touchpad. Um modelo mais modesto, o TV with Boxee, não tem armazenagem interna. Os dois, porém, têm saídas USB... para mais conexão! Os preços de lançamento nos EUA estão entre US$ 230 e US$ 350; aqui, evidentemente, a conversa será outra.
* * *
Da nossa série Números Curiosos: em 2Tb cabem cerca de 500 mil músicas, 800 mil fotos ou 770 horas de vídeo.* * *
Ainda do estande da Iomega, dois outros lançamentos interessantes: a Personal Cloud, ou nuvem pessoal, que é um servidor trocado em miúdos para a compreensão simples das gentes, e uma das melhores invenções da CES, o Super Hero, um dock miúdo em que o usuário não só carrega o iPhone como faz backup automático do seu conteúdo, dispensando o computador (e o abominável iTunes) no dia-a-dia.* * *
Na semana passada falei das minhas dúvidas em relação ao 3D. Depois de escrever vi, na feira, alguns produtos que me pareceram mais realistas do que as TVs: a sua aplicação em games e um smartphone da Sharp, o já famoso Galapagos, que trabalha com 3D sem óculos, e que funciona lindamente. Claro – quando o usuário consulta a tela de um celular, ele está sempre no local certo para ver a imagem em três dimensões. Esta gracinha, por enquanto, só no mercado japonês.* * *
Dica: no site da Gelaskins, que faz “peles” lindas para celulares e computadores (e envia para o Brasil), os wallpapers para smartphones podem ser baixados de graça. Vale a pena chegar lá e fazer uma “colheita”. Fica em gelaskins.com.(O Globo, Economia, 15.1.2011)
14.1.11
WSPA coordena ajuda aos animais
Quem quiser ajudar aos animais da região serrana, também pode fazer doações através da WSPA, a sociedade mundial de proteção animal.O link está AQUI.
Precisa-se de um carro GRANDE!!!
O grupo de proteção de animais da UFRJ está organizando um mutirão com veterinária, protetores e o Tony, que é especialista em resgate de animais, para ir amanhã (sábado) a Teresópolis, levando mais de 100 kilos de ração, remédios e água.O problema é que precisam de um carro grande, tipo Doblô ou outro que caiba o material doado.
A Karina paga o aluguel do carro se for necessário. Contatos com adoteumpeludorj@gmail.com ou no celular 9616-7871
Eles estão apoiando as três ongs mencionadas no cartaz; a coordenadora é a Babete Filpi.
Ajuda para bípedes
O Globo publicou uma lista de instituições que estão recolhendo doações para as vítimas da enchente; para ver, é só clicar AQUI.E, em Ipanema, a Casa de Cultura Laura Alvim também abriu as portas para doações.
13.1.11
De uma sobrinha em Buenos Aires
Enquanto eu fazia as malas para voltar de Las Vegas, onde fui à peregrinação anual dos nerds para o CES (Consumer Electronics Show), minha sobrinha Julia mandava notícias de Buenos Aires, aonde vai, sempre que pode, para ter aulas de tango:
“Oi, tia! Aqui estou novamente, pela quinta vez. O negócio da freqüência é que a gente vai virando meio porteña. Por exemplo: quando estive em Buenos Aires pela primeira vez, achei o metrô o máximo. A passagem custa só 1,10 pesos, o equivalente a uns 50 centavos de real. Além de barato, muito bom, com cinco linhas que levam para todos os cantos da cidade. E os portenhos? Lindos, educados... tudo de bom.
Voltando agora, vários meses depois, já com aquela intimidade que permite criticar, desci no metrô com ganas de xingar todo mundo. É que a passagem é um bilhete de papel, e esse bilhete, em vez de ficar preso dentro da roleta, entra por um lado e sai pelo outro. A prefeitura espalha um monte de latas de lixo, para evitar a sujeira. Mas adianta? Indo pela 9 de Julio, e caminhando para pegar a linha D, passei por quatro latas meio vazias. O chão, em compensação, parecia coisa de brasileiro, com bilhete por todo canto!
A minha percepção mudou um bocado, é claro, mas infelizmente Buenos Aires mudou também. A pobreza aumentou a olhos vistos. Mais mendigos, mais lixo, cidade menos cuidada. Para você ter idéia, minha amiga Inês Bogado, campeã mundial de tango, voltou a dançar na praça em San Telmo. Quase todo mundo que conheço está em situação financeira pior do que estava em fevereiro. Sem falar na nuvem negra de luto pela morte do Nestor Kirchner, que continua pairando sobre a cidade. Ainda se podem ver, em frente à Casa Rosada, bilhetes do tipo “Força Cristina!” com flores, algumas meio murchas, outras agüentando o calor, que é menor do que o do Rio, mas mesmo assim existe.
A questão da morte do Kirchner, aliás, como tudo o que acontece em política, é coisa delicada. Rolam boatos de que ela teria um caso com o chofer, e que por isso não há que se ter pena da moça. Enquanto isso, os pró-Cristina ficam mais do que irritados com qualquer referência ao suposto love affair, e as discussões são medonhas... vai saber o que aconteceu! Caso com chofer ou não, acho que perder marido deve ser difícil e, de todo modo, isso é noticia velha.
Uma novidade que me parece muito bizarra é o pessoal medindo o preço das coisas pelo real, como nós fazíamos no Brasil com o dólar na época do cruzeiro. Eu era novinha naquele tempo, mas nunca vou esquecer que ganhava um dólar por semana de mesada... Ruim para eles, bom para nós, que estamos com moeda forte e, ainda por cima, ganhamos um reforço na auto-estima. Meus professores de tango, por exemplo, passaram a cobrar 230 pesos, no lugar dos 200 que se pagava em fevereiro passado, porque o valor equivale a cem reais.
Falando de tango, continuo super apaixonada, mas sempre me revolto um pouco. O tango aqui é uma das bases do turismo, empregando bailarinos, coreógrafos e dezenas de outros profissionais, além de manter abertas as várias casas de milonga e de shows. Quando me perguntam como comecei a dançar, respondo que comecei pelo samba de gafieira e fui caminhando pelas danças de salão. E ninguém nunca sabe o que é samba de gafieira! Ouvem a palavra “samba”, pensam no sambódromo, em mulatas e em purpurina, e não conseguem conciliar essas imagens com a criatura quase transparente e um tanto acima do peso que têm diante de si. A minha revolta é que nós temos uma dança tão legal quanto a deles, e não estamos mostrando isso para o mundo! Quando o samba por acaso aparece em competição americana de dança de salão, é uma mistura sem pé nem cabeça com uma salsa de permeio. Nada contra o sambódromo ou contra as escolas, é só que o samba não é feito só disso, não.
Por outro lado, música brasileira está bombando. Entrei em mais de uma loja onde se podia ouvir de musica ambiente uma boa MPB. Escutei Chico e Caetano na rua mais de uma vez. E até passei mais tempo do que pretendia numa loja de jóias de prata porque estava tocando aquela música da bailarina que não tem defeito. Péssimo para o meu cartão de crédito!
O baque financeiro, porém, não está sendo dos piores. O peso é barato mas, independente disso, as coisas são baratas em si. Quando o Gui esteve aqui fomos almoçar num lugar super chique e romântico. Uma gracinha chamada El Ultimo Beso. Pagamos menos de 200 pesos. No Rio, um lugar do gênero sairia por mais de 200 reais. As roupas, além de baratas, são também muito criativas. Se você fizer compras em Palermo, dificilmente achará uma peça que sirva a um propósito só. É saia que vira vestido, calça que vira saia... até blusa que vira bolsa eu vi. Só falta inventarem um biquíni que vire vestido de noiva, se bem que aqui quase não tem biquíni, uma vez que não tem praia. Pois é: não tem praia! Taí, apesar de quase portenha, meu coração carioca não corre riscos. Cidade maravilhosa mesmo é a nossa! Beijos da Ju”
* * *
Obrigada, de coração, a todos os leitores que me escreveram, semana passada, sobre a Pipoca: as suas palavras foram muito reconfortantes.(O Globo, Segundo Caderno, 13.1.2011)
12.1.11
11.1.11
CES 2011: de tudo, muito -- sobretudo gente
(Desculpem o atraso na postagem, mas esta foi uma semana, como direi?... atípica, é isso.)Quinta-feira, 21h30 de uma noite fria mas muito bonita em Las Vegas, Nevada; no Brasil são 3h30. Ao contrário da Europa, aqui o fuso horário conspira contra os jornalistas que precisam mandar as matérias e colunas em tempo para a redação. Cheguei às 11h30 (horário local) e fui direto para o Las Vegas Convention Center, menos para saber sobre o que escreveria hoje do que para descobrir sobre o que vou escrever pelos próximos meses. O CES (Consumer Electronics Show) é a maior feira de tecnologia do mundo ocidental, onde todos os fabricantes querem vender o seu peixe, seja ele um pendrive ou um telescópio que fotografa o céu e calcula sozinho as coordenadas dos corpos celestes identificados.
Este ano, segundo se dizia por lá, foi batido o recorde de visitantes: cerca de 140 mil pessoas vieram à cidade só para participar da festa. Eu acredito, porque todas as 140 mil estavam no hall que visitei e queriam ver as mesmas coisas que eu; todas, também, queriam pegar taxi ao mesmo tempo, o que está tornando a "experiência CES" ligeiramente traumática.
Conforme previsto, as grandes estrelas são os tablets e as telas 3D. É fácil apostar as fichas nos tablets: há coisinhas lindas, que dão vontade de pegar no colo e ninar, como o Android com tela de 10" da Motorola, ou o Samsung que, como um smartphone na linha do Milestone ou do N97, esconde um teclado por baixo da tela touchscreen. Mais difícil, a meu ver, é levar o 3D igualmente a sério, a despeito do esforço monumental dos fabricantes. Não consigo imaginar uma família inteira tendo que por óculos 3D toda noite para ver televisão; e os modelos de TV 3D que dispensam óculos só funcionam quando nos sentamos exatamente em frente à tela. De qualquer forma, o 3D não é uma idéia nova -- volta e meia aparece, faz sucesso, depois some por mais uma temporada. Dessa vez, o que há de diferente, de fato, é a quantidade de fabricantes investindo na idéia.
Mais divertido do que enfrentar a explosão demográfica diante dos Grandes Projetos, porém, é fuçar pelos cantinhos menos movimentados para descobrir os pequenos gadgets e acessórios. Por exemplo: há uma quantidade de teclados para tablets, sobretudo para o iPad. Alguns modelos são muito engenhosos, e vêm integrados a capas protetoras. Outros permitem carregar o iPad enquanto são usados. Gosto deles -- eu mesma tenho um tecladinho Bluetooth da Apple, no qual, por sinal, digito essas mal tecladas -- mas, ao mesmo tempo, não consigo deixar de sentir na sua existência um certo contrasenso. Afinal, os tablets significam uma nova experiência sensorial, ou não? Se é para ter uma tela e um teclado, não faria mais sentido ter um notebook de uma vez? Sim e não; escrever de verdade em touchscreen evidentemente não dá certo, ou o CES não teria tal profusão de teclados. Mas a experiência da tela solta, mais leve e jeitosa, é um sucesso consagrado. Enfim, a tecnologia também tem suas contradições...
Ainda na onda dos tablets: é sensacional ver a quantidade e a variedade de suportes que já foram inventados para as engenhocas. Há bases com caixas de som, há simples apoios de alumínio levinhos, há objetos que giram em todas as direções e em todos os angulos, e outros que beiram o ridículo pelo trambolho que são. Há também toda uma nova leva de baterias e carregadores, muitos dos quais permitem o uso simultaneo de diversos aparelhos.
Os headphones também passam por um momento de singular criatividade. Há modelos de todos os tipos e todas as cores, inclusive uns muito engraçadinhos para crianças, com desenhos de flores ou joaninhas; e há um aparelho complicado e enigmático que produz earbuds personalizados, no modelo do ouvido do freguês.
E, por toda a parte, o que é que se vê nos sérios e intermináveis salões do CES? Os personagens de Angry Birds, o joguinho favorito de nove entre dez usuários de smartphones e tablets (o décimo não gosta de joguinhos). Eles estão em cartazes, em capas para smartphones e para iPads, em bichos de pelúcia, chaveiros e o que mais se imagine.
Ainda vou falar sobre as coisas interessantes que vi (e ainda vou ver), mas -- haja espaço! Só para vocês terem idéia, o catálogo oficial de expositores, do tamanho de uma revista grande, tem 377 páginas (em letra miúda). Agora, porém, nesse exato momento, vou ver se consigo enviar direitinho esta coluna: pela primeira vez me aventuro pelo mundo apenas com os meus tablets.
Torçam por mim!
(O Globo, Economia, 8.1.2011)
10.1.11
9.1.11
8.1.11
















